Redes Sociais: as consequências de ter um perfil
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ter ou não um perfil nas redes sociais

É facto que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) cada vez mais fazem parte das nossas vidas e atualmente com um smartphone e acesso à Internet é possível fazer o que há 10 anos atrás era impensável.

De entre as plataformas, observa-se que as redes sociais são um fenómeno que faz parte do cotidiano das pessoas. Foram rapidamente adotadas por milhões de pessoas em todo o mundo atravessando fronteiras de idade, género, cultura e estatuto social. Sendo um espaço no qual temos a tendência de sermos mais descontraídos, as redes sociais assumiram um papel relevante ao se tornarem uma espécie de montra para a apresentação dos “eus” e para a exposição das melhores qualidades de cada um, visando a expansão das conexões e o reconhecimento social. Neste artigo, irei abordar, em forma de alerta, sobre as consequências de ter um perfil nas redes sociais.

Entretanto, você deve estar a pensar: “ora bem, se toda a gente tem um perfil nas redes sociais, como posso ficar de fora?”. Entendo que queira ter um perfil nas redes sociais, pois eu também tenho em algumas redes, porém é importante que comece a refletir sobre questões relacionadas com a privacidade e o mercado de dados, pois é bom estar ciente dos riscos decorrentes, visto que as redes sociais trouxeram consigo novos desafios, nomeadamente, no que se refere à proteção dos direitos fundamentais, em particular, o direito à privacidade. Um outro ponto preocupante está relacionado com o “vício”, já que é difícil de nos “desligarmos”, isto porque ficamos ansiosos por uma resposta imediata ao que postamos, quer seja por meio de “likes” ou comentários.

A Netflix tem produzido uma série de documentários sobre as redes sociais. Em 2019 com o documentário “The Great Hack”, traduzido para o português como “Nada é Privado: O Escândalo da Cambridge Analytica“, que aborda o escândalo relacionado com o Facebook e a empresa Cambridge Analytica que obteve dados de 87 milhões de utilizadores por meio da aplicação  “This Is Your Digital Life” (“thisisyourdigitallife“).

No ano de 2020, a Netflix disponibilizou um novo documentário, intitulado “The Social Dilemma”, em português “O dilema das Redes Sociais“, com depoimentos de pessoas que trabalharam e/ou ajudaram a construir redes como Facebook, Instagram, Pinterest, Twitter e YouTube sobre o impacto que tem nos utilizadores.

Com o documentário “O dilema das Redes Sociais“, a Netflix veio despertar a atenção sobre a forma como as redes sociais fazem para tornar os seus utilizadores “dependentes” ao se prevalecer da sua insegurança e ansiedade. E, ainda, como tiram proveito do rasto digital deixado pelos utilizadores através da quantidade de dados disponibilizados e com isso impulsionar as vendas. Na realidade, o que fazem nada mais é, do que manipular os utilizadores. Para além disso, as informações dos utilizadores ficam na base de dados das próprias redes sociais e podem vir a ser vendidos/utilizados para fins de marketing ou outras intenções, bem como as aplicações/sites de terceiros podem ter acesso às informações por meio da sua interface, como foi o caso da Cambridge Analytica.

Mas você pode estar a questionar: por que devo acreditar nos documentários que a Netflix produziu sobre as redes sociais? Os temas abordados pelos documentários não apareceram do nada, pois há muito tempo que existe um debate global sobre esses temas tanto por parte dos governos como instituições. Considere ainda que, os documentários serviram para expor os factos, nomeadamente o que acontece nos bastidores das redes sociais. Sendo um tema de cariz social, os convidados que fizeram parte dos documentários tiveram a função de ajudar a esclarecer o assunto abordado.

Sabemos que ter um perfil nas redes sociais é “gratuito”, isto é, não implica custos, porém é importante questionar: como as plataformas de redes sociais sobrevivem se não cobram nada dos utilizadores? Pois bem, a verdade é que não existe nada de graça, os dados dos utilizadores valem “ouro” e podem ser vendidos ou utilizados para fins de publicidade e marketing por terceiros. Em 2011, o relatório do Fórum Económico Mundial, sinalizou para a necessidade dos indivíduos controlarem como os seus dados pessoais eram coletados, gerenciados e compartilhados, comparando os dados pessoais a “petróleo” – um precioso recurso do século XXI, uma nova classe de ativos, tocando todos os aspetos da sociedade. Como podemos observar no documentário “O dilema das Redes Sociais“, o mercado de dados comportamentais sofreu um enorme crescimento. Dito isto, e como já previsto previsto por Garfinkel em 2001, verifica-se que a nossa autonomia digital foi eliminada, as nossas ações estão a ser monitoradas, os nossos segredos conhecidos e como resultado as nossas escolhas acabam por ser delimitadas. 

Nas redes sociais tudo o que é publicado fica disponível e pode ser acedido por milhões de outros utilizadores em frações de segundo, por meio do “efeito viral”, em que tudo é publicitado com apenas um click. Tentar fazer uma gestão das redes sociais, tal como quando se diz algo pessoalmente, é importante para não perder a noção de que o virtual não é real. O maior erro que se pode cometer é pensar que por se tratar de uma “presença virtual” não é necessário preocupar-se com o que se publica. Isto está diretamente relacionado com o nosso comportamento enquanto utilizadores.

Temos que ter em linha de conta que estamos a viver na era dos algoritmos e eles fazem parte do nosso cotidiano. As redes sociais utilizam os algoritmos para mostrar ao utilizador conteúdos conforme a sua interação, tornando tudo personalizado.

A personalização está assente numa barganha, em que diariamente “entregamos” uma imensa quantidade de dados sobre nossa vida em troca do serviço de “filtragem”, mas o que fazem com essas informações? Sobre isso, o livro de Eli Pariser intitulado “O filtro invisível: O que a internet está escondendo de você“, chama atenção que a personalização acaba por alterar a maneira como nos deparamos com as ideias e as informações, pois entramos numa bolha – denominada por “bolha de filtros” – , em que há uma tendência a aceitar a ajuda dos filtros personalizados, que em “teoria” facilitam a encontrar as informações que necessitamos a partir dos cliques efetuados no que temos interesse.

Bem, agora que já sabe sobre os perigos que corremos como utilizadores das redes sociais, pode está a questionar: “e quando as redes sociais são utilizadas para fins de marketing de uma empresa, negócio, produto ou serviço?”. Isso é um paradoxo, mas os perigos mencionados anteriormente podem ser um grande aliado para quem está a fazer ou deseja fazer marketing nas redes sociais. Mas como assim? O mesmo rasto digital deixado pelos utilizadores através da quantidade de dados disponibilizados estão passíveis de serem monitorados por quem está a fazer marketing. Daí ser um valioso recurso a ser utilizado.

Cada vez mais as redes sociais como o Facebook disponibilizam ferramentas com funcionalidade e recursos para empresas. Estamos a falar do Facebook para Empresas que possibilita criar uma página (Fanpage), gerir anúncios com o Facebook Ads e integrar a conta comercial do Instagram e o WhatsApp Business. Existe um leque de opções quando se trata de estratégias de marketing nas “Fanpages”, para além de ser possível visualizar muitos dados, nomeadamente: fazer uma análise dos conteúdos mais partilhados ou os que obtiveram mais “likes”; verificar o alcance dos “posts”; as mensagens trocadas; e o engajamento do seu público. Muito bom, não é? Mas iremos tratar deste assunto noutro artigo. Porém, não deixe de ler também as 3 razões para usar as redes sociais para marketing.

Recomendo vivamente a quem ainda não assistiu os documentários, a assistir! Vai fazer com que você reflita um pouco sobre a sua utilização das redes sociais. Confesso que, mesmo já estando a par da situação, por ter me debruçado sobre o assunto durante os 3 anos que estive a realizar o pós doutoramento, ainda assim isso trouxe memórias de início de 2012 (quando comecei a utilizar as redes sociais, nomeadamente o Facebook) até 2015, ano que parei de comprometer totalmente a minha privacidade e comecei a fazer a gestão da minha presença nas redes sociais de forma responsável e consciente. Mas digo-lhe já, não é uma tarefa tão fácil como parece, pois as redes sociais foram estruturadas para mexer com as emoções das pessoas e por possibilitar a interação instantânea.

E você? Tem realizado a gestão das suas redes sociais? De que forma? Quer partilhar a sua experiência connosco? Escreva no campo de comentários abaixo!

Claudia Machado

Tem experiência em WordPress e em especial no tema Divi. Adora ir ao ginásio e está sempre em busca de conhecimentos nas áreas de desenvolvimento web e marketing digital.

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